segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Qual o significado do véu na liturgia ?

 

mantilha

 

Vários objetos litúrgicos são recobertos com véus. Qual o simbolismo por trás disso ?

“O véu vela (esconde) algo precioso, ao mesmo tempo que revela (mostra) possuir e trazer tal tesouro”. (Formação Litúrgica, Comunidade Shalom)

Da mesma forma o véu de Missa e o véu da Noiva, que possuem o mesmo simbolismo. Moças e Mulheres cristãs, temos alta dignidade e somos tesouros preciosíssimos, sabiam disso ?

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O pudor e o uso do véu na Santa Missa, uma reflexão

 

Originalmente publicado em Palestras Católicas

Durante a Santa Missa, participamos do espetáculo de amor que o Deus Pai nos reserva através do sacrifício incruento do seu filho amado, Nosso Senhor Jesus Cristo. Compreender esse mistério é impossível, mas ter reverência a ele não o é.

Reverência implica respeito que vem do interior do nosso coração e se exterioriza através de atitudes. A primeira e maior reverência a Nosso Senhor acontece na conversão pelo Sacramento da Penitência, posto que receber a Hóstia Santa em pecado mortal é um grande erro, é um sacrilégio.

Quando passamos diante do Sacrário, temos obrigação de ajoelharmo-nos  (se tivermos saúde para tanto, se não, pelo menos inclinar a cabeça) como se faz diante dos reis, tendo consciência de que Aquele é o Rei do Universo, nossa Divina Majestade. O pudor não pode ser esquecido, é conveniente que as vestes cubram nosso corpo com decência em todos os lugares e, em especial, nos momentos da Missa em que a modéstia deve nos orientar, pois o centro d’ela é Jesus e não os nossos caprichos ou vaidades.

O uso do véu, para as mulheres obviamente, é um desses atos de reverência que podem ser utilizados, apesar de ter sido suprimida sua obrigatoriedade canônica. Diante do quadro atual da falta de delicadeza para com Nosso Senhor, é também um protesto na forma de lembrete em prol do respeito ao sagrado, por isso é bom que quem use o véu tenha cuidado no modo de se vestir e se portar na Santa Missa (e fora desta). Aconselho, para o bem e a salvação da humanidade, que se ofereça esse gesto de piedade em reparação pelas almas que fazem uso de modas escandalosas.

Esse costume, definitivamente, chama atenção das pessoas, mas não do modo como uma mulher impudica o faz, muito pelo contrário. Como tem um sentido dentro do Rito Litúrgico e frente aos Sacramentos da Igreja, a mantilha ressume sinais: tentaremos demonstrar alguns em seguida, diante desse contexto sagrado e da própria missão da mulher no mundo.

Quando Deus criou o homem, viu que não era bom que ficasse só, então disse: “vou dar-lhe uma ajuda que seja adequada” (Gn 2,18). Essa ajuda, todos nós sabemos qual foi: a mulher. Por isso, nos diz o filósofo Julián Marías quea missão da mulher é impelir para cima: acima de si mesma e do homem. A realidade da mulher, portanto, não se manifesta abertamente, pois o que nos eleva aos céus é a riqueza da vida interior. O pudor, dessa maneira, denuncia esse sublime interesse, convida ao homem a alcançá-lo e à mulher a vivenciá-lo, o que é, no final das contas, valorizar a si mesma.

Marías explica que as linhas do rosto feminino desenham uma clausura: a mulher está sempre um pouco atrás da sua face. Por isso o véu lhe “cai tão bem”. Inspira sossego e resignação. Hodiernamente, as pessoas desprestigiam essas virtudes porque se negam a enxergar a futura velhice, a enfermidade, a ausência e até a morte que fazem parte da vida. Porém, é elegante constatá-las para não nos esquecermos da nossa limitação e que se “do pó viemos, ao pó retornaremos”, por isso nada mais urgente do que “convertermo-nos e crermos no Evangelho”.

Ante essa missão antropológica que as mulheres possuem, em um Rito Litúrgico, a mantilha se adapta como luvas em mãos. Na Santa Igreja, deixamos os problemas do mundo para trás a fim de nos abrigarmos à sombra das asas do Altíssimo, pois seu “fardo é leve” e seu “julgo é suave”. Ao nos encontramos em frente a essa instituição divina, ficamos a um passo desse manancial de misericórdias. Colocamos, então, o véu que representa a fina distinção do ambiente de onde vimos para aquele onde adentramos.

A Irmã Patrícia Therese diz que o véu motiva a mulher a inclinar a cabeça em oração silenciosa, isto, de fato, é o que todos devemos fazer quando nos encontramos no Templo de Cristo, por conta da grande beleza e mistério de Jesus Sacramentado. Nossa submissão a Deus é evidenciada pela coberta da cabeça e, sendo a mulher representante da humanidade, relembra-nos que esta, para seu próprio bem, só terá ordem quando for obediente ao verdadeiro Rei que é Cristo: “fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,6).

Com toda a certeza, o mundo reage contra isso porque não quer que as coisas se coloquem nos seus devidos lugares, já que sabemos quem é seu “príncipe”. Felizmente, tal celeuma não é capaz de alterar a realidade (não se esqueça o que a Virgem Maria já nos prometeu: no final, seu Imaculado Coração triunfará), ainda que essa resistência a torne mais problemática.

A mulher que faz, pois, uso de uma mantilha nas Santas Missas e capelas em que Cristo está presente, manifestando através desse gesto de piedade exterior suas prudentes escolhas internas, permite, enfim, que quem a cubra seja o próprio Jesus.  O uso do véu se converte em apelo à vida espiritual e à submissão da humanidade a Deus. Por isso, faço minhas as palavras de Ir. Patrícia: “use sua mantilha com prazer” e que Deus lhe abençoe.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O Uso do Véu e a Modéstia Cristã

 

Casal Obama

O uso do véu, símbolo da modéstia e da alta dignidade da mulher, não se compatibiliza com o uso de roupas imodestas.

No passado, a preocupação com o modo de vestir das mulheres já inspirou a edição de normas escritas:

"As meninas e senhoras que se apresentarem imodestamente vestidas, sejam afastadas da Sagrada Comunhão e não admitidas a servir de madrinhas nos Sacramentos de Batismo e da Confirmação, e sendo caso disso impeça-se-lhes a entrada no templo". (Instrução da Sagrada Congração do Concílio contra a imoralidade das modas femininas 12/01/1930).

Se os tempos mudam e com ele o conceito de “imodesto”, resta a nós o uso de uma ferramenta importantíssima: o bom-senso. Pensemos em como nos vestiríamos para receber uma altíssima autoridade internacional, em um evento formal: nada de calças compridas justíssimas, saias acima do joelho, roupas muito justas, transparentes ou decotadas, nem de mini-blusas ou blusas de alcinha ou “tomara-que-caia”, não é mesmo ? Da mesma forma no templo, seja na Santa Missa ou em outras funções litúrgicas ou práticas piedosas, tais peças não cabem.

Desde este ponto de vista não podemos deixar de condenar a cegueira de quantas mulheres de todas as idades e condição; feitas tontas pelo desejo de agradar, elas não vêem a que nível a indecência de suas vestes chocam a todo homem honesto, e ofendem a Deus. A maioria delas teriam, em outras épocas, se envergonhado com esses estilos por grave falta contra a modéstia Cristã; e já não é suficiente que elas se exibam na via pública; elas não tem medo de cruzar as portas da Igreja, a assistir o Santo Sacrifício da Missa, e até de levar a comida sedutora das suas paixões vergonhosas até o Altar da Eucaristia onde recebemos o Autor celeste da pureza.” (Papa Bento XV, 1922, Encíclica Sacra Propediem, n. 19)

"Os pecados que levam mais almas para o inferno são os pecados da carne. Hão de vir umas modas que hão de ofender muito a Nosso Senhor. As pessoas que servem a Deus não devem andar com a moda. A Igreja não tem modas. Nosso Senhor é sempre o mesmo" (As aparições e a mensagem de Fátima conforme os manuscritos da Irmã Lúcia, pg. 66)

Julie

Quanto ao argumento de que somos um país tropical e que faz muito calor, a verdade é que sempre se consegue aguentar o calor quando quer. Incrivelmente,  algumas moças e senhoras durante o tempo quente vão escassamente vestidas à Santa Missa e a outras reuniões da igreja; e, no entanto, elas mesmas vestem-se com modéstia quando trabalham num escritório que requer formalidade, pois recebem todo o tipo de clientes, ou quando são professoras, ou quando trabalham como vendedoras e precisam usar uniformes…Ora, a sua consciência e a sua alma vale algum sacrifício, ofereça o calor como penitência a Deus.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Onde Comprar ? São Paulo - SP

Pedimos às leitoras que souberem endereços de mais lojas físicas ou virtuais que vendam véus, que nos avisem para atualizar a lista !

1) ARTE SACRA RENOVAÇÃO
Praça da Sé, 21 – Galeria São Marcos, Lojas 5 a 12 – Centro – São Paulo / SP
Tels (11) 3107-3654 ou 3107-5856








Esse é o véu que comprei recentemente, a vendedora o abre para que eu tenha idéia do tamanho. A Alessandra tirou a foto, me mandou por email, e eu amei !! Daí ela comprou e me mandou pelo correio... Já chegou aqui em casa.



2) CAPELA SANTA LUZIA
Rua Tabatinguera, 102, São Paulo, SP
Fone: (11) 3104-8032








Meu primeiro véu foi comprado lá (não por mim, ganhei de presente), é longo, fininho e lindo. A foto também foi tirada dentro da capela.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Corre que o farisaísmo vem aí!



Autor: Francisco Dockhorn

Publicação: 11 de Agosto de 2009

"Este povo somente Me honra com os lábios; mas seu coração está longe de Mim" (Mc 7,6).

"Vós, fariseus, limpais o que está por fora do vaso e do prato, mas o vosso interior está cheio de roubo e maldade. Insensatos!" (Lc 11, 39-40)

1. Introdução

A Sagrada Liturgia, instituída por Nosso Senhor Jesus Cristo, conservada e regulada pela Santa Igreja Católica Apostólica Romana, é compatível com o ser humano em todos os sentidos; ser humano que é composto de corpo e alma.

Isso significa que ao mesmo tempo que a Liturgia é, sobretudo, interior (isto é, ela nos desafia a uma disposição interna), ela é também externa (isto é, ela nos desafia a atos externos que manifestem essas disposições internas).

Faz parte, aliás, da natureza humana manifestar a disposição interior por meio de gestos (abraçar, dar presente, vestir-se bem, arrumar a mesa para uma festa, e assim por diante). E na Liturgia, não é diferente.

2. Duas distorções

Nesse sentido, existem duas distorções litúrgicas que precisam ser evitadas:

Uma delas é superestimar as atitudes internas em detrimento das externas. Muitos justificam esse equívoco afirmando que "o que importa é o coração" A estes, vale lembrar que aqui não cabe a aplicação deste princípio, pois isso implicaria colocar-se em contraposição com grande parte das normas litúrgicas da Santa Igreja, bem como com os diversos sinais e símbolos litúrgicos (paramentos, velas, flores, incenso, gestos do corpo, e assim por diante...), que partem da necessidade de se manifestar com sinais externos a fé católica a respeito do que acontece no Santo Sacrifício da Missa, bem como manifestar externamente a honra devida a Deus.

A atitude interna é fundamental, mas desprezar as atitudes externas é um erro. Por exemplo: ensina-nos o Sagrado Magistério da Santa Igreja que Nosso Senhor Jesus Cristo está presente verdadeiramente e sibstancialmente no Santíssimo Sacramento do Altar, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, nas aparências do pão e do vinho, como afirma o Catecismo da Igreja Católica (Cat.), nos números 1374-1377; e que Ele se faz presente durante a Santa Missa, que é a renovação do Seu Único e Eterno Sacrifício, consumado de uma vez por todas na cruz e tornado presente no altar, pelas mãos do sacerdote (Cat. 1362-1372; 1411). Mas como vamos convencer o mundo disso, se em ATOS EXTERNOS tratarmos a Hóstia Consagrada como um alimento qualquer?

A este respeito, escreveu o saudoso Papa João Paulo II: "De modo particular torna-se necessário cultivar, tanto na celebração da Missa como no culto eucarístico fora dela, uma consciência viva da Presença Real de Cristo, tendo o cuidado de testemunhá-la com o tom da voz, os gestos, os movimentos, o comportamento no seu todo. (...) Numa palavra, é necessário que todo o modo de tratar a Eucaristia por parte dos ministros e dos fiéis seja caracterizado por um respeito extremo." (Mane Nobiscum Domine, n. 18)

A outra distorção possível é o oposto desta: superestimar as atitudes externas em detrimento das internas; se esta distorção for algo radicalizada, é um erro pior ainda que o citado acima, podendo se tornar inclusive uma fonte de pecado - pode ser o caso de quem faz uma genuflexão com cuidado externo, para mostrar “como sou santo”, ao invés de fazê-la para honrar Jesus Eucarístico. O ato externo é necessário, mas pelos motivos certos!

3. Conceito de farisaísmo

Essa distorção (de superestimar o externo em detrimento do interno) foi um dos erros que Nosso Senhor Jesus Cristo, no Santo Evangelho, condenou nos fariseus; e por isso, chamamos aqui essa tendência de “farisaísmo”.

Mas para compreender bem o que É esse farisaísmo, é preciso primeiro esclarecer o que ele NÃO É.

Para isso, é preciso ter em mente que o que Nosso Senhor censurou nos fariseus NÃO foi a preocupação em obedecer em santas leis de Deus. O próprio Senhor disse: "Se guardardes os Meus Mandamentos, sereis constantes no Meu Amor, como também Eu guardei os Mandamentos de Meu Pai e persisto no Seu Amor." (Jo 15, 10-11) E ainda: "Não julgueis que vim abolir a lei e os profetas. Não vim para abolir, mas sim para levá-los à perfeição. Pois em verdade vos digo: passará o céu e a terra, antes que desapareça um jota, um traço da lei. Aquele que violar um destes mandamentos, por menor que seja, será declarado o menor no Reino dos céus. Mas aquele que os guardar e os ensinar será declarado grande no Reino dos céus." (Mt 5, 17-19)

A lei divina precisa ser obedecida. Não existe distinção entre obedecer diretamente a Deus e obedecer a lei da Santa Igreja. Nosso Senhor confiou a São Pedro, o primeiro Papa (Mateus 16,18-19), o poder de ligar e desligar. O Catecismo da Igreja Católica explica que "o poder de ligar e desligar" significa a autoridade de absolver os pecados, pronunciar juízos doutrinais e tomar decisões disciplinares na Igreja." (n. 553) Por isso, recusa de sujeição à lei da Santa Igreja é pecado contra o 1º mandamento (Cat., n. 2088-2089)

Os erros que Nosso Senhor condenou nos fariseus foram dois: o fato de eles interpretarem a lei de forma equivocada em algumas ocasiões ("Deixando o mandamento de Deus, vos apegais à tradição dos homens" – Mc 7,8), como no caso da proibição deles em relação às curas realizadas em dia de Sábado, e (aqui nos interessa!) o fato de eles externarem uma coisa e viverem outra. Foi o que Nosso Senhor condenou quando falou: "Este povo somente Me honra com os lábios; mas seu coração está longe de Mim" (Mc 7,6). "Vós, fariseus, limpais o que está por fora do vaso e do prato, mas o vosso interior estpa cheio de roubo e maldade. Insensatos!" (Lc 11, 39-40)

4. Farisaísmo moderno

Este farisaísmo moderno a que me refiro é, a pretexto de uma grande (e necessária!) valorização dos atos externos da Sagrada Liturgia (da correta doutrina a respeito da Santa Missa como Renovação do Santo Sacrifício de Nosso Senhor, da Presença Real de Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento, do Sacerdócio, da obediência às normas litúrgicas, do dobrar os joelhos nos momentos adequados, da bela ornamentação do espaço sagrado e do altar, do incenso, do latim, do canto gregoriano, de se vestir adequadamente para participar da Santa Missa, do uso do véu por parte das mulheres, e assim por diante...elementos estes necessários de serem valorizados!), cair em uma certa indiferença ou desleixo em relação à disposição interior e à vida espiritual.

Então, corre-se os perigos de:

• Falar-se (e com razão!), que Nosso Senhor está verdadeiramente e substancialmente presente na Hóstia Consagrada...mas não haver dedicação a permanecer alguns momentos em adoração!

• Falar-se (e com razão!) do valor infinito e desconcertante do que a Santa Missa é a Renovação do Santo Sacrifício de Nosso Senhor, através do qual Ele paga pelos nossos pecados...mas não haver esforço em combater os pecados pessoais!

• Falar-se (e com razão!) da necessidade de se ajoelhar na Consagração e do valor de receber o Corpo de Deus de joelhos e diretamente na boca...mas não dobrar-se verdadeiramente o coração diante de Deus, através de uma vida em que Deus seja verdadeiramente o centro!

• Falar-se (e com razão!) da necessidade se utilizar vasos sagrados (cibório, cálice...) de materiais nobres e artisticamente belos para acolher o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor...mas não haver verdadeiro empenho em acolher Nosso Senhor na própria alma, de forma apaixonada, com verdadeira adoração, amor profundo, carinho e bons propósitos!

• Falar-se (e com razão!) do vestir-se de forma decente e adequada para participar da Santa Missa, e inclusive do uso do véu pelas mulheres...mas não haver esforço profundo para viver a virtude da pureza em atos e pensamentos!

• Falar-se (e com razão!) da necessidade de se obedecer as normas litúrgicas promulgadas pela Santa Igreja...mas não haver esforço em obedecer a Deus através de uma busca completa de fidelidade a Ele!

• Falar-se (e com razão!) do preceito que a Santa Igreja instituiu para os católicos participarem da Missa Dominical inteira...porém, cumprir-se o preceito, mas não o “espírito” dele: sem amor profundo pelo Santo Sacrifício da Missa...e nem se cogitar participar da Santa Missa em dias cuja a participação não é preceituada!

• Falar-se (e com razão!) do valor da Santa Missa celebrada com beleza, esplendor e solenidade para que se manifeste ao mundo a grandeza do que é celebrado no altar...mas não se amar as almas verdadeiramente a ponto de se doar pela salvação delas em oração, penitência e apostolado!

• Ler-se (e com razão!) o Catecismo da Igreja Católica, o Código de Direito Canônico e outros documentos, livros e escritos sobre a doutrina, a disciplina e a liturgia católica...mas não haver interesse em ler os grandes autores da vida espiritual que a Santa Igreja tem, e por isso desconhecer a real beleza de uma vida de fidelidade a Deus, e os meios para trilhar esse caminho!

Dom Antonio Keller, Bispo de Frederico Westphalen-RS, em entrevista dada em Junho de 2009 para o blog “Salvem a Liturgia” (publicada em <<< http://www.salvemaliturgia.com/2009/06/entrevista-com-dom-antonio-carlos-rossi.html >>> ) falou desta realidade da seguinte forma:

“Sem autêntica vida espiritual, ou seja, para a Liturgia, sem a autêntica interioridade, a Liturgia torna-se tão somente ritualismo farisaico. Metros e metros de pano, quilos e quilos de incenso, etc.. não servem para nada quando não existe um apaixonado amor a Cristo, a Sua Igreja e a Seu Povo. Vejo com esperança toda esta movimentação em relação à busca de uma Liturgia mais fiel à normativa da Igreja, mas penso que isto só não seja suficiente para uma autêntica renovação eclesial: precisamos não somente de gente que celebre ou que participe da Liturgia bem celebrada... Precisamos de gente SANTA que celebre e participe bem da Liturgia bem celebrada.”

E mais adiante, ao final da entrevista:

“Quero dizer aos leitores que procurem, antes de tudo, viver a Liturgia, com interioridade e atenção. Repito o que já anteriormente disse: a autêntica participação na Liturgia exige interioridade, alma, amor a Deus. Vivamos a Liturgia não só na sua exterioridade tão bonita e necessária, mas principalmente, no que ela realiza de ato de amor a Deus.”

5. Solução: espiritualidade litúrgica

É preciso haver não somente um zelo em defender a doutrina católica, o autêntico esplendor litúrgico da Santa Igreja e as normas litúrgicas. Claro que TAMBÉM isso, mas NÃO APENAS isso: é preciso desenvolver uma autêntica ESPIRITUALIDADE LITÚRGICA.

Ela se dá através do encontro não somente com uma doutrina, mas com uma Pessoa, que é Nosso Senhor Jesus Cristo. Diz o Santo Padre Bento XVI, logo no início da sua primeira encíclica, chamada “Deus Caritas Est”, que no “início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande idéia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo.” (n.1)

E um encontro pessoal com Nosso Senhor que, como exclama São Paulo, “me amou e se entregou POR MIM!” (Gl 2,20) É DEUS que, POR MIM (!), “aniquilou-se a si mesmo” (Fl 2,7), assumiu nossa condição humana (!) no Ventre imaculado da Santíssima Virgem; “tornando-se obediente até a morte e morte de cruz (Fl 2,8), POR MIM (!); se oferecendo continuamente ao Pai Eterno de forma mística no altar, pelas mãos do sacerdote, POR MIM (!); se fazendo presente verdadeiramente e substancialmente em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, na Hóstia Consagrada, para chegar até MIM!

E São Paulo continua: “POR ISSO Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus SE DOBRE TODO O JOELHO no céu, na terra e nos infernos. E toda língua confesse, para Glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é o Senhor.” (Fl 2,9-11)

Como não se desconcertar totalmente com isso? Este encontro pessoal com Nosso Senhor é uma experiência única, que envolve a pessoa inteira: intelecto, emoções e comportamento.

A aparição da estrela que levou os Reis Magos a encontrar Nosso Senhor no presépio “os encheu de profunda alegria”. E a seguir, eles “entraram na casa, acharam o menino com Maria, Sua Mãe, prostraram-se diante Dele e O adoraram” (Mt 2,10-11). Esta é a alegria de ter Deus-Amor Sacramentado no altar! Viva Jesus!

Vivemos em uma crise de fé e moral, e em termos apostólicos, portanto, antes ainda de se falar da importância dos atos externos que a Sagrada Liturgia conserva e das normas litúrgicas, é preciso levar as pessoa a terem, pela fé, este encontro pessoal com Nosso Senhor. Isso dará sentido para todo o resto. É preciso anunciar o Santo Evangelho! E ele tem como centro o Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor, que renova este Santo Sacrifício no altar e se faz Presença Eucarística junto de nós.

São João da Cruz, doutor da Santa Igreja, nos ensina que “amor se paga com amor”. São Luiz Maria Montfort nos ensina: "Jesus, nosso divino amigo, deu-se inteiramente a nós sem reserva, seu corpo e sua alma, suas virtudes, graças e méritos. (...) Ele ganhou-me inteiramente dando-se inteiramente a mim. A justiça e a gratidão exigem, portanto, que lhe demos tudo que pudermos. Foi Ele o primeiro a ser liberal para conosco; sejamos também nós generosos para com Ele."

Esta é a consequente busca da conversão interior que Nosso Senhor nos chama (“Convertei-vos e crede no Evangelho!”; Mc 1,15), que dará todo o sentido para os lindos e necessários atos externos que a Sagrada Liturgia conserva.

"Toda a santidade e toda a perfeição de uma pessoa consiste em amar a Jesus Cristo, nosso Deus, nosso maior bem, nosso Salvador." (Santo Afonso Maria de Ligório, doutor da Santa Igreja)

"Ou nos afastamos do mal por medo do castigo, estando assim na posição de escravo; ou buscamos o atrativo na recompensa, assemelhando-nos aos mercenários, ou pelo bem em si mesmo e por amor de quem manda que nós obedeçamos." (São Basílio Magno)

"O Amor não é amado!" (São Francisco de Assis)

"Deus tem sede de que nós tenhamos sede Dele." (Santo Agostinho, doutor da Santa Igreja)

"A alma do justo é nada menos que um paraíso, onde o Senhor, como Ele mesmo diz, acha suas delícias." (Santa Teresa De Ávila, doutora da Santa Igreja)

"Não é para ficar (somente) no cibório de ouro que Jesus desce todos os dias do céu, mas para encontrar outro céu que lhe é intimamente mais caro que o primeiro: o céu da nossa alma, feita à imagem dele, o templo vivo da adorável Trindade." (Santa Teresinha do Menino Jesus, doutora da Santa Igreja)

"Eis o Coração que tanto tem amado os homens, que a nada tem se poupado até se esgotar e consumir para testemunhar-lhes o seu amor; e em reconhecimento não recebo da maior parte deles senão ingratidões por meio das irreverências e sacrilégios, tibiezas e desprezo que usam para comigo neste Sacramento de amor. E o que mais me custa é serem corações a mim consagrados os que assim me tratam." (Jesus a Santa Maria Margarida Alacoque)

"Quando você for comungar, deseje todo aquele amor que jamais um coração teve para Comigo, e eu receberei este amor como você gostaria que fosse" (Jesus a Santa Matilde)

"Meu Deus, eu creio, adoro, espero e Vos amo. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam." (Oração ensinada pelo Anjo em Fátima, Portugal, 1917)