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quarta-feira, 22 de abril de 2009

Exemplo é Tudo.


Por Juliana Fragetti Ribeiro Lima.

Estava eu costurando meu véu, que estava soltando a rendinha e pensei: tudo tem um começo. Eu nunca estaria usando esse véu, não fosse uma senhora piedosa lá de Campos - RJ anos atrás! Quando estava recomeçando a conhecer a Igreja, fui a Campos conhecer aqueles padres “diferentes”, que rezavam a missa “de costas” e em latim.

Ao chegar lá, entre tantas coisas, fui conhecer a Igreja Principal da Administração Apostólica (que estava em construção, não era nem sombra do igrejão que virou!). D. Fernando foi celebrar uma missa cotidiana, ferial. Na época eu nem sabia o que é uma missa ferial, hehe! Bom. Cheguei à igreja, sentei e ia esperar a missa começar. Certo? Errado! Eis que surge uma amável senhora e me pergunta:

- Você vai assistir a missa?
-Sim, respondo.

E ela saca um véu e me dá. Eu olhei rapidamente em volta e pensei: “Humm, todas estão usando, acho que é para eu usar também…”. E pus o véu. Devolvi a ela no fim da missa. No dia seguinte, ia conversar com D. Fernando e também confessar, mas antes de subir, aparece novamente uma outra senhora – que sabia que eu era “turista” ali e que não conhecia muito bem – e me cede um véu também. Ao chegar onde estava o bispo pergunto, inocentemente, a ele: “Me deram um véu. Precisa?”. Ele acena a cabeça afirmativamente.

A verdade é que aqueles dias foram repletos de lições, mas quero ficar só no véu. Aquilo marcou a minha alma. Tanto que antes de voltar a São Paulo procurei adquirir um lá mesmo para mim. E nunca mais deixei de usar. A piedade e o exemplo daquelas senhoras foram decisivos nisso, tenha certeza. Não fosse por elas, talvez eu não tivesse tomado consciência dessa realidade que o véu representa tão cedo e de forma tão marcante.

De sorte que pus no coração fazer com outras pessoas o que elas fizeram outrora comigo. Falei com o padre Jonas, que é o responsável pela missa tridentina em SP e é o meu padre, evidentemente, sobre isso e que eu tinha mandado confeccionar uns véus para tal fim. Ele rapidamente aprovou e me deixou encarregada da recepção e acolhida.

E vi uma receptividade excelente. As pessoas sentem que você as convida para participar de modo mais intenso. Já que muitos vão para conhecer a missa tridentina pela primeira vez (vi muito isso no tríduo pascal), elas se sentem de certa forma integradas pelo gesto de você entregar-lhes um véu emprestado para a celebração.

Quem fala que as pessoas se sentiriam acuadas, intimidadas por fazermos isso, não é verdade. Depende da forma que você aborda a questão com a pessoa. Se você chegar e falar: “Olha aqui, use isso, viu?”, ninguém gostará. Soará como se ela fosse inferior e você tivesse querendo impor algo a ela, que, provavelmente, essa pessoa sequer sabe o porquê você fala tal coisa.

Agora, se você chegar amavelmente, perguntando se ela participará da missa, se ela está pela primeira vez e oferecer a ela um véu e ela der uma olhadinha em volta, ela saberá que você a chama para participar de tudo aquilo (que é novo para ela) com amor e receberá bem o seu gesto.

Ainda que você que me lê não participe numa comunidade onde o uso do véu é geral, ainda assim, não é motivo para se intimidar. Ensine o valor desse sacramental, o profundo significado que há por trás de um simples pedacinho de renda. As pessoas pararão para pensar, com certeza. Ainda mais se verem o seu exemplo no uso do véu. Falar do que não vivemos é hipocrisia. Vivamos a nossa fé e vamos ensinar mais e mais pessoas acerca de tão sublime costume, que infelizmente se perdeu na nossa sociedade.

5 comentários:

  1. Maite,

    Olá! Paz e Bem!
    Me chamo Andréia. Tenho 28 anos, e estou começando a usar o véu. Pelos muitos motivos que você colocou, e pelo meu coração que quer amar e adorar Jesus da melhor maneira possível! Gostaria de postar no meu blog algo sobre o véu, sobre sua beleza, sua importância.
    E gostaria de manter contato com vocês! Amei descobrir esses blogs! Preciso e quero muito aprender sobre a Sagrada Liturgia!
    Que Jesus Sacramentado a abençoe.

    Paz e Bem.

    Ah, segue meu e-mail: prof_andreiamedrado@yahoo.com.br
    andreia_medrado@hotmail.com

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  2. Caríssima, a cerca do costume de se usar véu; quando de meus trabalhos pastorais no interior da Bahia, pude perceber que todas as mulheres usam um veu curto nas procissões, confissões e dentro da igreja. Evidente que estranhei, pois, aqui no Estado de São Paulo há muito tempo que não via, desde a minha infancia quando coroinha de meu paroco, uma sehora usando esse instrumento de sacralidade e de "consagração"; fiquei devéras emocionado. Valería a pena um estudo sobre esse costume não esquecido pelos mais probrezinhos e o por quê ele não foi esquecido entre eles.
    Donisete

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  3. Oi, vi esse blog por acaso.

    Realmente, acho muito válido seguir essas tradições. Acho que não devemos esquecer nem um minuto as lições da igreja e da bíblia, que detém todas as verdades que precisamos.

    Mas acho também que tantas outras tradições bíblicas se perderam através do tempo, sem que houvesse essa orientação. Muito pelo contrario! A biblía deve ser seguida!

    Sendo vocês todos tão mais conhecedores do que eu, venho pedir, humildemente, que me auxiliem em alguns pontos, pois não sei como proceder diante de tantos ensinamentos esquecidos. Vou citar alguns:

    *Levíticos 25:44 afirma que eu posso possuir escravos, tanto homens quanto mulheres, se eles forem comprados de nações vizinhas. Como proceder diante disso se serei punida pela lei dos homens?

    * Eu tenho um vizinho que insiste em trabalhar aos sábados. Êxodo 35:2 claramente afirma que ele deve ser morto. Eu sou moralmente obrigado a matá-lo eu mesmo?

    *A maioria dos meus amigos homens apara a barba, inclusive o cabelo das têmporas, mesmo que isso seja expressamente proibido em Levíticos 19:27. Como faço para convence-los?

    Vou aguardar a resposta ansiosamente!!! Espero que me respondam! Ainda tenho inúmeras dúvidas, mas essas são as principais!

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  4. Caríssima, a cerca do costume de se usar véu; quando de meus trabalhos pastorais no interior da Bahia, pude perceber que todas as mulheres usam um veu curto nas procissões, confissões e dentro da igreja. Evidente que estranhei, pois, aqui no Estado de São Paulo há muito tempo que não via, desde a minha infancia quando coroinha de meu paroco, uma sehora usando esse instrumento de sacralidade e de "consagração"; fiquei devéras emocionado. Valería a pena um estudo sobre esse costume não esquecido pelos mais probrezinhos e o por quê ele não foi esquecido entre eles.
    Donisete

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