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sábado, 21 de agosto de 2010

Minha Experiência com o Véu: Fabrícia Rodrigues

 

Fabricia

Se me perguntassem há dois anos atrás o que eu pensava a respeito do véu, diria: um absurdo! Uma prática opressora da Igreja sobre as mulheres! Somente os idiotas ainda se deixam levar por estes costumes! Como podem ver, eu era a típica universitária nietzschiana, bradando aos quatro ventos que a religião é o ópio do povo. Quanta tolice.

Cresci neste caos existencial que me proporcionou cicatrizes imensas, e tudo isso em nome de uma vaidade intelectual que me fazia olhar com desdém para aqueles que pareciam se deixar conduzir como cordeirinhos por pessoas oportunistas. Vejam como a misericórdia de Deus é infinita! Eu, que tanto ofendi, desprezei, rejeitei Seu Preciosíssimo Amor, fui resgatada do mais profundo e escuro abismo do meu ser. Aos poucos, percebi que tudo aquilo que eu defendia com tanta convicção era na verdade uma bobagem tão grande, que chegava a ser hilário, não fosse o estrago causado na minha vida. Com um amor paternal, Deus me conduziu à Santa Igreja Católica e me revestiu completamente com Seu Puro Amor. Aquele que eu procurava em tantos lugares, estava lá o tempo todo me esperando. Como é que se pode retribuir tão grande Amor?

Consciente da minha infinita mediocridade perante Deus, e ao mesmo tempo radiante por saber-me tão amada por Ele, comecei a buscá-lo nas Sagradas Escrituras, documentos, história da Igreja. Eis que, quando leio sobre o véu, algo diferente me detém. O primeiro impulso é rejeitar o uso, num claro retorno aos velhos conceitos. Mas percebendo esta armadilha me obrigo a ler e refletir melhor sobre este costume. Não é fácil para uma mulher tão imersa nos hábitos e pensamentos modernistas aceitar palavras como submissão, humilhação, recolhimento. Intrigada com tais palavras e ao mesmo tempo maravilhada com a riqueza que um simples hábito pode causar na alma de uma mulher, por graça divina comecei a ser catequizada pela mais excelsa das criaturas, a Virgem Santíssima. Ela, meu modelo perfeito de mulher, usa véu! Olhando para ela, todas as minhas dúvidas desapareceram e só ficou um pensamento: Quero ser como ela! Uma filha que admira sua mãe se esforça para agradá-la e tenta assemelhar-se com ela, não é? Partindo deste princípio, olhei com escândalo para as roupas que usava. Aquelas não eram roupas dignas de uma filha de Deus e da Virgem Puríssima. Como mãe zelosa, ela me indicou o que mais lhe agradava, o que mais exaltava a sua amorosa maternidade. Graças ao cuidado interior que recebi dela, pude externar a alegria de ser cristã. Já não eram mais úteis aqueles decotes, roupas apertadas e comportamentos extravagantes para me sentir amada. O recolhimento e o pensamento constante na postura daquela que os céus e a terra proclamam rainha, levaram-me ao ato que foi uma declaração de amor mais bela que meu coração pôde me levar a fazer. Depois de tantas ofensas ao Sacratíssimo Coração de Nosso Senhor em nome de um orgulho vil e abjeto, iria reverenciar Sua presença eucarística não só com meu coração, com a minha alma, mas também com meu corpo! E a forma mais honrosa e digna que há sem dúvida é usar piedosamente o véu sobre a cabeça. Testemunha silenciosa do profundo amor e temor por aquele que se imola por nossos pecados.

Vencido em partes o respeito humano e oposições de algumas pessoas, usei meu véu pela primeira vez sentindo um misto de júbilo e desconcerto. Não é fácil declarar seu amor diante de outras pessoas que sequer conhecem suas motivações. Claro que tive dúvidas, medos, insegurança, vergonha. Mas tive o amparo da Virgem durante este período, me incentivando a olhar sempre para a causa daquele ato de amor. As pessoas estranharam, umas reprovaram e outras gostaram. Eu agradeci a todas elas. Estava em paz com Deus, louvando e reconhecendo a Sua Glória do modo como a Mãe me ensinou. E sabia que O agradava. Hoje, as pessoas se acostumaram e até me chamam carinhosamente de "menina do véu". Nossa Senhora tem auxiliado algumas filhas do mesmo modo que fez comigo, e sinto-me imensamente feliz por ser instrumento de suas puríssimas mãos. A Santa Missa era para mim já um pedaço do Céu, mas a partir do momento em que me recolhi ainda mais, submetendo-me ao grandioso milagre eucarístico pelo uso do véu, pude apreciar com mais clareza o banquete do qual sou indigna convidada. Como é belo participar da missa com o olhar de Maria Santíssima! Sentir-me separada, acolhida, entregue totalmente ao Meu Senhor e Meu Deus sem me preocupar com as outras pessoas, olhar com adoração para o meu Amado e reconhecer que embora pecadora, sou a filhinha Dele! Quando me cubro para que Ele apareça e seja louvado, canto alegremente com minha Mãe: Minha alma engrandece o Senhor e meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador!

Um comentário:

  1. compartilhei!!vou rezar mais,obrigada minha irmã

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